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deus e outros escombros
domingo, 16 de março de 2008
estamos sob teus pés
que desconhecem o chão
não sabendo de nós a mendicância
o incessante aviltar dos amontoados
domingo, 24 de fevereiro de 2008
nascemos mortos por dentro
homens ocos
acobertados pela fé
(horda, maldita horda é o que somos)
fugimos da vida
refugiados na esperança
que chega ao entardecer
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
vejo-me distante
seguro
entrincheirado na imensidão
do vosso esquecimento
sábado, 2 de fevereiro de 2008
já não consigo conter
a miséria do Vosso reino
invadindo-me a delicadeza
(sofro pela ausência da fé)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
rogo por vós
porque livre estais de todo pecado
triste deus que não ousa sonhar
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
eterno o teu adeus
que me deixou preso
entre silêncio e sombras
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
acovarda-nos com a imobilidade da esperança
semente e colheita,
a tua promessa
ratos obesos somos,
dia e noite rastejando
as migalhas dos teus pés
domingo, 21 de outubro de 2007
ao silenciares alimentas
a fé que te perpetua
e põe de joelhos
à sombra da renúncia
o amanhã dos filhos teus
domingo, 23 de setembro de 2007
alimento desta horda, deus
rumina em mim
a sanidade
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
de posse do silêncio
subjugo-te os dias
mantendo-nos presos
aos ditames da fé
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
se nos teus olhos
já não posso mais crer
dá-me a cor avessa da paz
que em silêncio seguirei
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
atemorizam-me as frestas
abertas pelo teu silêncio
incrédulas,
expiam por nós
segunda-feira, 30 de julho de 2007
desfaço a beleza
se é tua a eternidade
de mim nada levarás
sexta-feira, 13 de julho de 2007
o verbo mentia.
fez da luz,
esperança.
domingo, 8 de julho de 2007
estou em vigília
mas tu não vens
assombra-me então a madrugada
o silêncio na alma
o perdão
segunda-feira, 18 de junho de 2007
porque sabes
da melancolia alheia
forjar a fé que te nutre
onipotente és,
misericordioso pai.
sábado, 26 de maio de 2007
covarde
põe-nos aos teus pés
e oramos
e tememos
e esquecemos
a fé.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
tua é a redenção
porque são teus os pecados
e és tu a remir os corpos
que hei de macular
domingo, 22 de abril de 2007
condenado a ser eterno
sobre teus ombros
carregarás o peso da felicidade
(a ti, o rogo dos clementes)
domingo, 8 de abril de 2007
percorres um caminho desgastado
na esperança de alguém a ti estender a mão
– longo, longo é o peso da tua culpa
e amargo o retorno dos teus remorsos –
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