segunda-feira, 28 de abril de 2008


existe um mal que te percorre sem cessar, te acompanha noite e dia, predizendo teus passos, envenenando teus sentidos, acobertando teus erros, alcovitando teus instintos, entregando-te à preguiça e à luxúria. ímpio. enganador. mesquinho. vão. sabedor dos teus segredos, dos teus tortuosos desejos, te escorre a boca e te lambuza as mãos, te corrompe a alma e te faz impuro. cresceu contigo sem saber o que é envelhecer e agora exige um vigor que não mais tens, pobre diabo que és. ajoelha-te. expia. arrepende-te em vida. o teu corpo, cobre-o de vergonha, instrumento de mil vícios, por onde falam vozes escorregadias que te fazem rastejar em pecado, bebendo do próprio suor, servo da lascívia e da devassidão. aprende: bendito, bendito é aquele que refreia a carne, livrando-se da concupiscência de toda paixão.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

expia teus medos
exorciza tua culpa
sangra tuas auroras
pra que possas caminhar
à sombra mentirosa do pai

domingo, 16 de março de 2008


estamos sob teus pés
que desconhecem o chão
não sabendo de nós a mendicância
o incessante aviltar dos amontoados

domingo, 24 de fevereiro de 2008


nascemos mortos por dentro
homens ocos
acobertados pela fé

(horda, maldita horda é o que somos)

fugimos da vida
refugiados na esperança

que chega ao entardecer

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

vejo-me distante
seguro
entrincheirado na imensidão
do vosso esquecimento

sábado, 2 de fevereiro de 2008


já não consigo conter
a miséria do Vosso reino
invadindo-me a delicadeza
(sofro pela ausência da fé)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008


rogo por vós
porque livre estais de todo pecado
triste deus que não ousa sonhar

terça-feira, 25 de dezembro de 2007


eterno o teu adeus
que me deixou preso
entre silêncio e sombras

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

acovarda-nos com a imobilidade da esperança
semente e colheita,
a tua promessa

ratos obesos somos,
dia e noite rastejando
as migalhas dos teus pés


domingo, 21 de outubro de 2007

ao silenciares alimentas
a fé que te perpetua
e põe de joelhos
à sombra da renúncia
o amanhã dos filhos teus

domingo, 23 de setembro de 2007


alimento desta horda, deus

rumina em mim

a sanidade

sexta-feira, 14 de setembro de 2007


de posse do silêncio
subjugo-te os dias
mantendo-nos presos
aos ditames da fé

segunda-feira, 3 de setembro de 2007


se nos teus olhos
já não posso mais crer
dá-me a cor avessa da paz
que em silêncio seguirei

segunda-feira, 13 de agosto de 2007



atemorizam-me as frestas
abertas pelo teu silêncio

incrédulas,
expiam por nós

segunda-feira, 30 de julho de 2007


desfaço a beleza

se é tua a eternidade

de mim nada levarás

sexta-feira, 13 de julho de 2007


o verbo mentia.
fez da luz,
esperança.

domingo, 8 de julho de 2007


estou em vigília
mas tu não vens
assombra-me então a madrugada
o silêncio na alma
o perdão

segunda-feira, 18 de junho de 2007


porque sabes
da melancolia alheia
forjar a fé que te nutre
onipotente és,
misericordioso pai.

sábado, 26 de maio de 2007


covarde
põe-nos aos teus pés
e oramos
e tememos
e esquecemos

a fé.

quarta-feira, 2 de maio de 2007


tua é a redenção
porque são teus os pecados
e és tu a remir os corpos
que hei de macular