segunda-feira, 26 de março de 2007

deus
eu ilumino teus dias com meus lamentos

deus
eu simplifico teus erros com minhas mentiras

deus
eu dignifico teus medos com minhas próprias mãos

(minhas mãos
sujas de ódio
e de sol)

domingo, 18 de março de 2007


amedrontam-me
teus olhos
sabedores da morte,

o avesso.
não derramam tristeza
não relembram auroras
lançam migalhas

disfarçadas de fé

quinta-feira, 8 de março de 2007


soubeste algum dia
dos lamentos meus
a dor que esmiuçavas
quando meu resto de fé
surdo de ti inventava
fendas no azul da noite
para escapar à solidão?

domingo, 25 de fevereiro de 2007


cega-me o horizonte
mergulha-me no ocaso sedento de rio
desfaz-me o destino num só golpe
joga-me à ventura com desdém
pois renegarei teus anjos
blasfemarei tua verdade
escaparei ao teu perdão
oh senhor!
eu careço de fé

sábado, 17 de fevereiro de 2007


a verdade que guardas
sem compreender
devolve-a
antes doutra alvorada
aproximar-se do fim

domingo, 11 de fevereiro de 2007


teu vôo errante
trouxe-nos aqui
entre rezas e esquecimento
cansados adormeceremos
restos de esperança
onde paz não há

domingo, 4 de fevereiro de 2007


ouço o som da chuva
ceifado pela terra
levar meus horrores
aos teus ossos desertos
guardiões de memórias
contigo enterradas
para nunca mais

sábado, 27 de janeiro de 2007

sujos pelo tempo interminável
mudos
tristes
solitários
loucos anjos esquecidos
têm os olhos roubados
pela reza dos desesperados

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007


cala!
tua reza aqui não será ouvida.
essas paredes sabem
elas sempre souberam:
sobreviver não é uma questão de fé
mas de suportar o peso morto
da imensidão.